13 de maio de 2012

Até de manhã


É como se por metade de um segundo
eu vivesse tudo de novo:
mais do que teu amor guardado
e que um fim mal explicado,
saudade, benzinho,
é o que dói mais   
E eu aqui,
só querendo comer tua presença,
esconder cada detalhezinho,
não lembrar dos teus olhos
(nem de nada mais),
ou qualquer coisa
que me acalme a alma
e me dê o sono de volta 
Gosto de parar pra sentir
como tudo é tão lindo
e frágil 

4 de maio de 2012

Troca malfeita



No lugar do coração,
hoje tenho um relógio batendo no peito
.
.
.
tique
taque
tique
taque
tique
taque
.
.
.
Quer o tempo que não se conta,
os dias que não passam,
as respostas que nunca vai ter
e explicar o que nem se diz




quanto mais se tem que esperar
até ele resolver parar?



de Orlando Pedroso 

27 de março de 2012

A carta que nunca entreguei


Quero teus pés colados nos meus, feito minha boca na tua. Quero teus ossinhos marcando meu quadril feito teus olhos marcam minha alma. Quero tuas palavras marcando meu coração feito teu amor faz comigo. Quero mais de você, quero mais de mim. Quero mais de nós dois. Te quero sendo comigo. Me diga, me mostre, me olhe, me ame. Canta outra vez no meu ouvido que quer o nosso bem, que faz tudo pelo nosso amor. Não perca o costume de me desequilibrar, muito menos de me segurar no último instante. Contorna meus lábios com teus dedos e para bem na ponta do meu nariz; me olha bem no fundo de mim e diz com aquele teu olhar o que sempre me disseste.
Dia desses, antes de dormir, percebi uma coisa. Pensei que o amor fosse meu, mas não: é todo teu. Guarda com cuidado, num canto escondido qualquer que seja. Lembra dele, vez ou outra. Olha.

Sente saudade,
como eu faço. 


em 24.02.12