27 de dezembro de 2012

Memórias transcritas

Não quero ler
as coisas que tenho escritas
e que já me passaram

Não quero ver 
naquelas palavras
coisas simples
que me lembrem
de dias, lugares, momentos: 
você

Não quero teu filme
passando nas minhas retinas
Não, não de novo.

Eu quero coisa nova, gente nova
e coração novo, 
se pudesse ter
Mas carrego as cicatrizes
que deixaste no meu peito
(e te carrego escondido, com carinho)

Mas não, não quero lembrar
Como disse Clarice, certa vez:
"lembrar-se com saudade
é como se despedir de novo"

.
.
.

Eu já estou tão cansada de despedidas, benzinho
Cansada desses goodbyes inacabados, 
de não ter um ponto final

Eu quero é um fim.

Despedidas doem,
e eu já doí demais

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2 de dezembro de 2012

21 de outubro de 2012

Onda


Tu me apareces tão repentinamente quanto te vais. Parece até que planejaste tudo para me deixar ainda mais perdida. E eu com minha mania de pensar demais, de querer adivinhar, de buscar explicações, de qualquer coisa que me acalme um pouco o coração. Mas nunca consigo. Sou muito e não caibo dentro de mim. Esborro. Sujo o chão. Sujo quem tenta limpar minha bagunça. Sujo quem quer me ajudar, mas, sem querer, não deixo. Prefiro estar como estou, ser como sou. 
Digo que vou embora, e vou. Estou indo, meu bem. Devagarzinho, bem sabes, caso tu te arrependas assim, do nada, por quase um segundo. Mas estou seguindo meu caminho, cada vez mais claro e bonito. Tempo é mesmo dessas coisas relativas demais. Às vezes demora a passar, mas ele também sabe voar. Outubro passou num piscar de olhos. Meu piscar de olhos com você refletido nas minhas pálpebras. Meu cinema particular de nós dois. Minha tela de nossas lembranças. “O rádio toca a nossa música... tão bonita e estranha, amor.” Sempre toca. Várias delas. Algumas tu nem deves lembrar. Aposto que não. Mas eu sei de todas, guardei um monte só para mim. Guardo tudo, sou caixa de memórias ambulante, vagando esquecida por aí. 
Mudei tanto, benzinho. Porém continuo sendo contradição: como posso mudar tanto e tu continuares no mesmo lugar?! Pareço quebra-cabeça daqueles que a gente nunca consegue terminar de montar. Um mexe e remexe de peças que a gente não consegue completar porque já tá viciado numa forma única de enxergar. Vejo tudo embaçado por dentro: visão turva de quando acordo sem óculos, bagunça de gente que não vê o que tá fazendo de errado – nem sabe como fazer o certo. 
Eu ainda doo. Bem escondidinho, quando invento de meter o dedo no peito, procurando o que já nem devia mais. Mais uma dessas minhas manias desnecessárias que não consigo largar. Como boa canceriana – há quem diga –, não consigo largar essa minha mania de passado. Mania de guardar tudo dentro de mim e querer procurar de novo quando dá vontade, mesmo sabendo onde vai dar. 
Mania de teimosia, também. Tem coisas que não dá pra mudar, já estão muito marcadas no fundo da gente. Mania de tentar explicar, como já tentei tantas vezes dizer o que senti dentro de mim. Mas quem já se afogou tem uma mínima noção da dor que é amar o perdido. A água entra nos nossos pulmões, a gente quer chorar, mas não consegue sequer respirar; dói tudo dentro: dor estranha, rasgada, inundada. A gente sente arder por todo o nosso caminho interior, bate lá dentro e não acaba nunca, bate e não volta pro outro, bate, bate, bate e fica só na gente. Tosse, tosse, tosse. Água para fora pelos olhos, boca, nariz. Amor para fora pelos olhos, boca, nariz. Amor salgado também, igualzinho ao mar que nos afogou. Igualzinho à onda que nos derrubou e embolou na confusão de areia e engasgos. Mas a gente não engole aquilo que nos faz mal, a gente cospe. 
Tu passeias pela minha cabeça e para que não passe disso, apenas te engulo. E engoliria quantas vezes mais fosse preciso. Mas chega a hora que a gente tem que colocar para fora, nem que seja obrigado. Nem que seja preciso alguém esmurrar minha barriga, meu diafragma ou sei lá o que para que eu te cuspa. Para que eu volte a respirar. Para que tua água saia de dentro dos meus pulmões. Para que eu desancore de uma vez desse cais conturbado. 

Para que tu, onda que és, não perturbes mais a paz do meu mar. 


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24 de setembro de 2012

17 de setembro de 2012

Imediatista


 Quero hoje e agora. Quero pra ontem. Amanhã não sei – nem sei quem sabe. Não deixe para trás a minha bagunça: queira me arrumar. Queira reparar os erros, juntar meus pedaços, cantar uma música para mim. Ou suma de uma vez, você que sabe, mas decida logo. Eu tenho vontade de seguir, mas acabo ficando. Fico esperando que tanta coincidência dê em algum lugar, que me dê ao menos uma resposta das tantas outras que me faltaram. Eu quero passar, quero ir. Quero parar de ter tanta contradição assim dentro de mim. Mas o que faço com você? Quero o sim, mas também quero o não. Quem quiser que se atreva a me entender.

Coração na mão, quase caindo.
Depois pode ser tarde demais: não me perca.

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31 de agosto de 2012

De que são feitos os sonhos?

Hoje acordei achando que estava dentro de um sonho teu. Por quê? Será que você sonhou comigo também? Será que a gente pode entrar assim no sonho do outro? Sem bater na porta, sem pedir licença? O que será que se passa dentro de você? O que será que acontece aqui dentro de mim? Sinto como se eu estivesse repetindo palavras buscando um jeito de traduzir o meu interior. Talvez o silêncio explique a bagunça que me preenche. Ou talvez seja necessário criar palavras. Talvez, ainda, fosse necessário apagar memórias para que desse jeito teu rosto não me apareça mais na mente. Nem teus olhos, orelhas, sobrancelhas, boca, nariz, pescoço, costas, barriga, tudo. Nem teus sinais e essas coisas que me aparecem repentinamente e eu acho que podem significar qualquer coisa. Nunca sei. Tem como saber? E se for nada? Mas e se for tudo? Quase enlouqueço. Meu subconsciente vê teu nome sempre e em todo lugar. O que faço? Queria que cada vez que eu escrevesse teu nome tuas aparições diminuíssem em minha cabeça. Eu dançava, tu me olhavas. De longe, nossos olhos estavam juntos. E nossos corações? Me abraçavas. As palavras sumiam. Onde mais eu buscaria palavras quando todas me desapareceram em plena madrugada? Por que as músicas são mais tuas do que dos próprios autores? Por que mal consigo escutá-las? Nunca mais darei Chico, Caetano, Otto, Beatles ou qualquer outro para ninguém. 
Momento de lucidez: é minha cama agora, onde está você?
Por que eu chorava? Por que tu calaste? Ainda é sonho? Onde terminou esse devaneio? Era meu ou era teu? 

A gente parece filme quase queimado, negativo de foto que esqueceram de revelar. 

8 de agosto de 2012

Longe

Às vezes lembro
que ainda não te esqueci,
e enxergo:
pontinho preto,
bem pequenininho,
bem ali no fundo

bem escondido dentro de mim


26 de julho de 2012

Verde na memória

               Lembro daquele dia verde. Nublado, mas verde. Era de um chove-não-molha impressionante. E tanto era, que ficamos nós dois ali, deitados em tua cama: eu tentando te convencer de que o dia valia ao menos um mergulho na piscina, e você dizia que ia começar a chover. E chovia, sempre. Você olhava nos meus olhos, eu olhava teus sinais e tentava ligá-los, fazer algum desenho no teu rosto; e aí meus olhos encontravam os teus, tão atentos e sorridentes em mim. Eu me perdia em você. Ria, chacoalhava pra lá e pra cá. Te beijava os olhos fechados, e te amava mais uma vez. Pelo menos eu tinha consciência do quanto estava feliz ali, naquele momento - e em tantos outros. Hoje, só me resta saudade. E quando o dia é assim, parecido com aquele verde-nublado, meu coração dói, meu corpo sente a falta do teu contorno. Dias assim me fazem querer estudar física e o que mais for necessário só pra poder construir uma máquina do tempo e te viver mais uma vez, sem ser dentro de mim desse jeito.




13 de julho de 2012

O que eu queria ser

Eu já quis ser mais magra,
ter perna mais fina
e peito maior

Já quis ser tua menina,
tua mulher
ou um problema qualquer
que tu carregasses no dia-a-dia


Já pensei em ser tua cama
e te sentir deitado em mim;
em ser tua bolsa
e viver nas tuas costas
(bem pertinho do teu pescoço,
pra matar a saudade que tenho desse teu lugar)


Quis sequalquer coisa que me fizesse te ser 
mas acabei sendo eu
.
.
.

Benzinho, te conto um segredo que minha alma teme em dizer:
eu poderia até ser uma bicicleta
se você quisesse pedalar tua estrada comigo



25 de junho de 2012

Das cartas sem destinatário


Precisava te escrever alguma coisa. Por mais que eu nunca te entregue essas cartas que ainda teimo em fazer; por mais que a gente não se encontre no mesmo caminho. Eu quero te lembrar sempre, mesmo que seja por uma dessas coisas que te escrevo antes de dormir porque preciso te colocar pra fora de algum jeito para que eu não passe mais uma noite inteira com você dentro da minha cabeça. Já faz tanto tempo, e tudo continua sendo teu aqui. Sinto tua falta quase todos os dias: me preenche e nunca me deixa em paz. A gente nunca sabe o que se passa dentro do outro... e talvez continue sempre assim. Mas não minto: bem que eu queria poder entrar em você e ver com teus olhos, me sentir na tua pele, tentar decifrar tua mente, e fazer qualquer coisa mais que eu possa estando dentro de você. Eu quero te lembrar porque você me dói. E dor de amor, benzinho, talvez não passe nunca.

Com todo o amor que eu gostaria que já não existisse mais dentro de mim,
                                                                                                                      Aline.


17 de junho de 2012

Sobre domingos e minha mania de água

Domingo me mete o maior medo. Se eu já penso muito - talvez até demais -, não queira nem imaginar o tanto de coisa que passa pela minha cabeça num dia em que eu não faço nada. Sem falar de hoje, especialmente: nublado, com chuviscos o dia inteiro, vazio, parado no tempo. 
Dias assim me deixam aérea. Voo longe, me perco dentro de mim. São tantas perguntas sem respostas. Tantos rostos, corpos, olhos, corações. Tantos lugares, esconderijos, mentiras e coisas velhas, guardadas de todo jeito. Tantos eus espalhados por aí. Tanto de nós que se foi. 
Gosto muito de chuva. Rega meu jardim, cuida do meu interior e faz crescer (não sei mais pra onde) meu coração. Lava minha alma. Leva embora o que já não me pertence mais. E peço, sussurro, rezo: que chova mais em mim. E que dias assim - por mais que me baguncem completamente por dentro – se repitam mais vezes.

A cor do amor é cinza.



5 de junho de 2012

Borboletas incontroláveis

Tem gente que acha que sente mais do que pode. E tem medo, se esconde, se guarda. Pra quê? Pra quem? 
 Tem gente que acha que a gente inventa o que sente, que aquilo dentro da gente é mais coisa da cabeça do que do coração. Pois eu não: eu sinto, e sinto muito. Às vezes dói, marca, machuca. Mas sinto, e não é invenção nenhuma: é alguma coisa que acontece bem lá no fundo, e cresce. Cresce tanto tanto tanto, que sempre transborda do meu peito. Me fura, pra poder fugir pro mundo. E sai de mim, foge do meu controle. Abraça a tudo e a todos que estiverem por perto. Cria raízes por aí - insiste numas ervas daninhas também - e quer se plantar em qualquer lugar.
           Isso é amor, fruto do meu pé-de-coração; da minha planta carnívora guardadinha no peito, ao alcance de quem quiser se arriscar. E isso, benzinho, a gente não inventa nem quando quer. A gente só sente. E daí a gente resolve se vai ou não soltar as borboletas que surgem no nosso estômago pelo jardim do outro.

Eu gosto de soltar minhas borboletas, mas tem gente que ainda tem medo de passear pelo jardim que me envolve. Eu, ainda assim, me arrisco por aí. E vou. O caminho é longo, mas sempre pode ficar mais bonito. 

27 de maio de 2012

13 de maio de 2012

Até de manhã


É como se por metade de um segundo
eu vivesse tudo de novo:
mais do que teu amor guardado
e que um fim mal explicado,
saudade, benzinho,
é o que dói mais   
E eu aqui,
só querendo comer tua presença,
esconder cada detalhezinho,
não lembrar dos teus olhos
(nem de nada mais),
ou qualquer coisa
que me acalme a alma
e me dê o sono de volta 
Gosto de parar pra sentir
como tudo é tão lindo
e frágil 

4 de maio de 2012

Troca malfeita



No lugar do coração,
hoje tenho um relógio batendo no peito
.
.
.
tique
taque
tique
taque
tique
taque
.
.
.
Quer o tempo que não se conta,
os dias que não passam,
as respostas que nunca vai ter
e explicar o que nem se diz




quanto mais se tem que esperar
até ele resolver parar?



de Orlando Pedroso 

27 de março de 2012

A carta que nunca entreguei


Quero teus pés colados nos meus, feito minha boca na tua. Quero teus ossinhos marcando meu quadril feito teus olhos marcam minha alma. Quero tuas palavras marcando meu coração feito teu amor faz comigo. Quero mais de você, quero mais de mim. Quero mais de nós dois. Te quero sendo comigo. Me diga, me mostre, me olhe, me ame. Canta outra vez no meu ouvido que quer o nosso bem, que faz tudo pelo nosso amor. Não perca o costume de me desequilibrar, muito menos de me segurar no último instante. Contorna meus lábios com teus dedos e para bem na ponta do meu nariz; me olha bem no fundo de mim e diz com aquele teu olhar o que sempre me disseste.
Dia desses, antes de dormir, percebi uma coisa. Pensei que o amor fosse meu, mas não: é todo teu. Guarda com cuidado, num canto escondido qualquer que seja. Lembra dele, vez ou outra. Olha.

Sente saudade,
como eu faço. 


em 24.02.12

16 de março de 2012

Leve


Não se esqueça de vir aqui. Venha, me pegue. Pegue o que for seu e estiver dentro dessa casa comigo. Leve. Leve tudo. Me leve. Leve até esse coração que não para de bater choramingando no peito. Leve as palavras outrora ditas, os beijos, os abraços, os olhos, o carinho, o amor. Leve todo esse peso que tenho dentro de mim, para que eu seja leve outra vez.




"A nostalgia de não ter você é como uma cicatriz, é como uma costura mal costurada"

2 de março de 2012

14 de fevereiro de 2012

Ariano



           Você com essa mania de teimosia e de me esquecer quase me faz não querer te ver nunca mais. Quase falo que te quero longe, te mando embora e digo que não. Mas é quase. Meu coração sempre fala mais alto do que tudo. Deixo o resto para trás, e vou contigo até onde for para ir. Não dá sequer tempo de desistir: em segundos, você invade e rouba todo o espaço da minha mente. Teu jeito, tua sobrancelha, tuas orelhas, teu tudo. E, como fogo que és, rapidamente me consome inteira.
 Os opostos se atraem, e a cada dia que passa sinto o peso que é lidar com as diferenças. Mas vale a pena. E mais ainda quando te escuto falar uma daquelas coisas lindas que só você sabe dizer. Sei que aos pouquinhos a gente se aprende e se entende melhor, mas é que eu tenho pressa, e sei que é mania dos dois: impaciência, impulsividade, instabilidade – somos cheios dos prefixos. 
Você tem uns olhos castanhos curiosos e raramente decifráveis, que me metem medo. Você é terra, espinho e flor, exatamente nessa ordem. Me dá amor quando quer, sem saber que eu preciso sempre. Sou fluxo constante, água corrente pronta pra te molhar e não quero esperar. Eu tô bem aqui para não deixar você não se queimar com o próprio fogo, mas deixa-me cuidar de você, sim? Benzinho, te guardo numa caixa, bem sabes, e te chamo de meu. Quando não consigo dormir, tento contar teus sinais – que nunca consegui sequer chegar perto do número certo. Lembro do teu (meu) triângulo e só assim me sinto em casa. Estranho, né? Te sinto sempre perto, me aquece o peito, me acomoda e acalma essa minha alma inquieta.
Não dê muita corda para certas loucuras minhas, mas saiba valorizar o que eu passo e faço por ti. Não se importa com minhas contradições. Às vezes falo tudo ao contrário e só quero que você adivinhe. Mas tente, uma vez perdida. Me mima vezenquando. Me guarda dentro de uma caixa também: sou tua. 
Te quero mesmo com esse teu mau gênio que aparece de vez em quando. Te quero transparente como consigo ver algumas vezes. Te quero com as cores da manhã que carregas na alma. Te quero sendo como és – talvez com uma vírgula aqui e outra ali, mas sendo sempre esse ariano irremediável.

Esteja, seja.
E me desconcerte como de costume.





12 de fevereiro de 2012

1 de fevereiro de 2012

Pé-de-coração


 Planta carnívora dentro do peito. Consegue me engolir de tal jeito, que nem sequer me mastiga. O amor brota em cacho, suculento e vermelho, de muito. Me consome. O que antes era só uma mudinha, agora tá enorme, quase do tamanho de um arbusto. Floresceu, você tem que ver. E se ramifica cada vez mais.

Por essas e outras que gosto tanto de chuva. Me cuida, me rega, me alimenta, me lava a alma. Me faz crescer esse amor calmo e desconcertante em forma de planta cultivada no solo desse meu peito bagunçado.

Meu Pé-de-coração cresceu apressado e paciente, com toda a contradição permitida pelo amor. É tratado por um jardineirozinho meio calado, mas que sabe podar com cuidado – e muito carinho – as folhas que não servem mais. Daqui a pouco essa planta vai me preencher toda – mas nem ligo – e começará a mostrar os galhos mais desenvolvidos, bem bonitos, lá em cima – ou por todos os lados. Na primavera, talvez. Até consigo me imaginar: coraçõezinhos pelo chão - sementes bem embaixo dos meus pés – e um contraste lindo do vermelho sangue das pétalas das minhas novas flores com o céu azul de novembro.

Ainda dá tempo de plantar mais umas mudinhas. Não é fácil, mas a gente rala um pouco para que o peito cresça e caiba o instável coração, sempre com mais amor dentro dele.


Ainda bem que choveu. E que ainda chove.



meu Pé de coração na parede 

4 de janeiro de 2012

(des)Conhecimento



Veja bem,
você precisa entender
que meu coração bate descompassado
e minha cabeça repete exclamações sem parar
Vez ou outra,
canso da mesma tecla,
mas continuo:
é assim que manda a razão
Mas, quando dou a cara à tapa,
é diferente:
bato o pé,
digo que não
e pronto,
vou onde meu coração mandar

Veja bem,
você precisa entender que me atrevi
botei a cara,
bati o pé,
disse que não pra razão,
e cá estou,
com teus olhos guardados em minha mente
e meu coração em tuas mãos

Veja bem,
você precisa entender que fui
e que continuo indo
Estou seguindo de peito aberto,
escancarado,
pra quem quiser ver
que teu nome tá lá dentro
Que fiquemos os dois,
mais perto do que longe,
sendo um do outro,
sem ser,
porque precisamos ser livres
e pertencer,
ao mesmo tempo
Sermos nossos,
completos e totalmente,
dentro e fora:
com muito amor

Veja bem,
você precisa entender a mim
e a esse meu ser mutante,
que são duas
ou infinitas numa só
Se quiser que eu te ensine,
tenha a coragem de mergulhar em mim
e me seguir nesse turbulento mar
que nem eu conheço direito,
mas que desbravaremos juntos,

se você ficar.