19 de janeiro de 2013

I'm lost in my old, in my own green light


Eu gosto do amor quando ele me derruba ou quando me faz voar. Se não for assim, não quero não. Não vale a pena. Nem sequer é amor.
Amor é quando a gente flutua devido à leveza do sentimento que nos preenche de tudo. Amor é quando a gente dói por qualquer besteira, porque ama tanto e concentrado em cada pedaço do corpo, que dói de bonito que é. Amor é quando a gente transborda, seja praquilo que é bom ou ruim. Amor é aquilo que eu sinto falta de sentir. 
Saudade do amor dos domingos ensolarados ou chuvosos, mas sempre debaixo dos lençóis vendo filmes. Saudade do amor escrito e lido nos olhos do outro, sem precisar de tradução nenhuma. Saudade do amor da dança dele, de ver uma alegria fácil naquilo. Saudade do amor criado pelo pescoço, sinais e coxas. Saudade de tanto, de tudo. 
Amor é aquilo que me desconcentra dessas coisas da vida, que me bota num rumo forte, que me traça uma coisa só e aquilo é. Eu sinto falta da bagunça que o amor me causa. Ultimamente eu tô bagunçada do meu próprio jeito, dessa minha mania de doidice mesmo. Tô perdida de mim mesma, da minha maneira, das minhas coisas. 

Me perco dentro de mim e sempre esqueço onde fico.
Talvez no nó da garganta. Ou no da tua orelha.


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15 de janeiro de 2013

Teus girassóis

Teu girassol cresce
dentro de ti
e floresce
dentro de nós

Gira teu sol-coração
e nos ilumina,
sempre




para Julia

27 de dezembro de 2012

Memórias transcritas

Não quero ler
as coisas que tenho escritas
e que já me passaram

Não quero ver 
naquelas palavras
coisas simples
que me lembrem
de dias, lugares, momentos: 
você

Não quero teu filme
passando nas minhas retinas
Não, não de novo.

Eu quero coisa nova, gente nova
e coração novo, 
se pudesse ter
Mas carrego as cicatrizes
que deixaste no meu peito
(e te carrego escondido, com carinho)

Mas não, não quero lembrar
Como disse Clarice, certa vez:
"lembrar-se com saudade
é como se despedir de novo"

.
.
.

Eu já estou tão cansada de despedidas, benzinho
Cansada desses goodbyes inacabados, 
de não ter um ponto final

Eu quero é um fim.

Despedidas doem,
e eu já doí demais

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2 de dezembro de 2012

Cais conturbado

Minha saudade é que nem maré:
preciso saber se está vazia ou cheia
antes de decidir se vou mergulhar



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12 de novembro de 2012