2 de julho de 2013

Queda

Jogar-se
ou desabar

Mergulhar no chão,
no mar,

ou no outro

CAIR
como uma criança
que rala joelhos e cotovelos
e num instante depois
esquece 



fotos de Fernanda Rappa

27 de junho de 2013

Dias de chuva e correria

Tem dias que a gente só precisa de gente do nosso lado. De alguém que diga qualquer besteira, qualquer coisa boa, qualquer coisa que mova um riso, qualquer coisa seja qualquer coisa, que seja bonito, que deixe um sopro leve no peito. Tem dias que a gente só precisa de quem saiba limitar nossa loucura, de alguém nos guie e nos dê um pouco de luz nos tempos maus. Tem dias que a gente não precisa de nada nem ninguém, mas a gente nunca quer. O silêncio nos deixa a sós com nossa mente imparável. Pensar dói e sentir o peso de todas as coisas, mais ainda. Qual será o verdadeiro som que o silêncio faz? E eu achando que sabia dessa resposta, como achava que sabia tantas outras. Eu sou tão pequena. E a vida também: passa correndo, voando em saltos no tempo. Eu, tão pequena. E a gente? E as gentes? E nós? E os nós? E os laços? 
Eu acho que tem dia que a gente só precisa de um cafuné.
(ou de qualquer sentimento de verdade).

2 de junho de 2013

amaromar

essas ondas que nos derrubam
e nos engolem 
nas estaladas de sal e areia 
esse cheiro,
esse balanço que o mar nos dá
essa possibilidade de flutuar
ou afundar
essa vontade de mergulhar
:

amor é maresia


fotos minhas

(clique e ouça)

12 de maio de 2013

Céu da boca


Como quem quisera uma vez determinar o futuro
e descrer de quaisquer outras possibilidades
que não a das estrelas,
teu lábio é astro:
projeta a certeza mais incerta das visões astrais
e das superfícies planas de um rosto,
como o astrólogo antigo
ao usar o astrolábio,
girando os globos e os céus,
para demonstrar o fenômeno celeste
do encontro de almas


10 de maio de 2013

EXPLODIR

      Tanta coisa na cabeça que não tem fim não tem tamanho não tem pausa apenas mais e mais pensamentos e conexões e possibilidades e quando é que isso tudo vai parar e será que a cabeça aguenta e o coração aguenta também e se a gente explodir e se a gente parar e se a gente correr demais e não puder ver mais nada e se a gente estragar tudo onde é que moram tantas perguntas para onde vão os pensamentos que são esquecidos será que podem caber tantas lembranças dentro de uma pessoa só e se a gente cansar e se a gente se esgotar e se a gente nunca parar



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Quebra de pensamento, mudança de fluxo. Mas e o que eu quero agora? Será que sei? Por que sempre existem tantas perguntas dentro de mim? 
Eu queria ter certeza das coisas.

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