11 de fevereiro de 2014

n°1 ou sem título

 Tampo os ouvidos,
mas não há silêncio:
ainda escuto a bagunça
do lado de dentro
que ainda anda
batendo no compasso
do meu coração

Zumbido:
ESCUTO UM BARULHO DE COISA QUEBRADA
é como que baixo
e lento
mas constante

Existem vozes também
- misturadas:
escuto meu nome no meio do rebuliço de palavras

Escuto sentimentos
que me são fortes

Escuto
a força
do
v a z i o

edoamor

(sempre há o amor,
mesmo que pelas pequenas coisas)

Escuto minha respiração
e o desespero embaralhado
na minha cabeça

o silêncio
o silêncio
o silêncio

é

s u r d o

 jun/2013

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19 de janeiro de 2014

TENRO

suave, cedo e doce:
afável

essa coisa tão delicada
e dúbia
quanto os corações
que facilmente se partem
                      e nos cortam

nós:
alma branda
e carne mole

nós:
como crianças,
sensíveis aprendizes,
sendo roídas pelo tempo
e mastigadas pela vida

nós:
volúveis e voláteis
(esse pleonasmo de inconstância
                         ainda contínuo)
enroscados e presos

mas nunca
frívolos

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22 de dezembro de 2013

17 de dezembro de 2013

COCOON

gosto do som dessa palavra em inglês
mas em português
é só um casulo,
nulo

quase como esconderijo
quimera fosse abrigo

pro meu coração pupa



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27 de novembro de 2013

Absorta


Imersa em ti
e alheia de todo o resto,
te vejo passando
por detrás dos meus olhos


Ver-te no verde
Sorver-te nos cachos dele
Absorver-te nas diversas características
                                                    [as mais opostas
                                                    [e iguais
                                                    [daquele outro

Resumir-te,
como que numa troca,
sem nenhuma explicação

SUMIR:
fazer-te desaparecer
te trazendo pra mim


Lembrar teu som,
teu riso,
teu carinho
.
.
.

E ser teu dengo 
no extravio dos meus pensamentos 



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