31 de agosto de 2013

Fim de agosto


Últimos minutos. Toda vez é isso: INterrogações.
As lembranças passam correndo na cabeça: filme malfeito, errado, não escolhi assim.
As palavras reverberam feito sol de meio dia botando fogo no corpo inteiro.
Os olhinhos, meu bem, sempre mais claros do que nunca, sempre daquela luz do dia clareando cedo.
Permanecem as dúvidas, os infelizes traumas e mágoas, o medo de escolher o caminho.
Me encho mais ainda de imagens passando pelas retinas, as telas de projeção do coração. Toca "queixa" do lado de fora. Está escuro, de claro só minhas imagens do lado de dentro de mim, onde tem esse corre-corre, essacoisasempausa essas imagens borradas tudotãorápido que eu quase não vejo mais nada direito tudo passa correndodemais e eu nãoentendomaisnada sóconsi gosen  tiresentir dói: mas ainda conta.
Sentir o que é velho, sempre, apesar da capa de coisa nova. Sentir é esse meu sentimento antigo, talvez mais velho do que eu – sabe-se lá como, talvez ele tenha nascido antes de mim -, esse sentimento antigo que só faz trocar de pele. De peles. São sempre as mesmas memórias repetidas e esquecidas cronicamente; são os mergulhos em diferentes e iguais poças; é jogar-se na vida como criança que ainda está aprendendo as consequências para suas ações, e repeti-las sempre, apesar da dor e da agonia do erro.

Memórias morrem na nossa retina, nós morremos na retina. Mas ainda conta: o coração continua batendo descompassado e desesperado pelo outro que também se esquece e nos esquece só pelo propósito de acontecer de novo. 


16 de agosto de 2013

Morada

                      

       O amor mora           naquele que se faz casa
  em cada olhar 


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18 de julho de 2013

Sideral

O silêncio da noite
no interior
decifrado no preto do céu
mesclado com os incontáveis pontos brilhantes

Tua estrela,
aquela que te dei
e desenhei troncha
no contorno dos teus sinais,
tua estrela
estava lá:
longe dos meus olhos,
inalcançável,
mas imersa
- lá em cima
e no fundo escuro
e inatingível
de mim


(in)atingível:
in:
dentro:

entre.
me ache.
mergulhe.

imagem de Erika Kuhn
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2 de julho de 2013

Queda

Jogar-se
ou desabar

Mergulhar no chão,
no mar,

ou no outro

CAIR
como uma criança
que rala joelhos e cotovelos
e num instante depois
esquece 



fotos de Fernanda Rappa

27 de junho de 2013

Dias de chuva e correria

Tem dias que a gente só precisa de gente do nosso lado. De alguém que diga qualquer besteira, qualquer coisa boa, qualquer coisa que mova um riso, qualquer coisa seja qualquer coisa, que seja bonito, que deixe um sopro leve no peito. Tem dias que a gente só precisa de quem saiba limitar nossa loucura, de alguém nos guie e nos dê um pouco de luz nos tempos maus. Tem dias que a gente não precisa de nada nem ninguém, mas a gente nunca quer. O silêncio nos deixa a sós com nossa mente imparável. Pensar dói e sentir o peso de todas as coisas, mais ainda. Qual será o verdadeiro som que o silêncio faz? E eu achando que sabia dessa resposta, como achava que sabia tantas outras. Eu sou tão pequena. E a vida também: passa correndo, voando em saltos no tempo. Eu, tão pequena. E a gente? E as gentes? E nós? E os nós? E os laços? 
Eu acho que tem dia que a gente só precisa de um cafuné.
(ou de qualquer sentimento de verdade).