19 de janeiro de 2014

TENRO

suave, cedo e doce:
afável

essa coisa tão delicada
e dúbia
quanto os corações
que facilmente se partem
                      e nos cortam

nós:
alma branda
e carne mole

nós:
como crianças,
sensíveis aprendizes,
sendo roídas pelo tempo
e mastigadas pela vida

nós:
volúveis e voláteis
(esse pleonasmo de inconstância
                         ainda contínuo)
enroscados e presos

mas nunca
frívolos

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22 de dezembro de 2013

17 de dezembro de 2013

COCOON

gosto do som dessa palavra em inglês
mas em português
é só um casulo,
nulo

quase como esconderijo
quimera fosse abrigo

pro meu coração pupa



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27 de novembro de 2013

Absorta


Imersa em ti
e alheia de todo o resto,
te vejo passando
por detrás dos meus olhos


Ver-te no verde
Sorver-te nos cachos dele
Absorver-te nas diversas características
                                                    [as mais opostas
                                                    [e iguais
                                                    [daquele outro

Resumir-te,
como que numa troca,
sem nenhuma explicação

SUMIR:
fazer-te desaparecer
te trazendo pra mim


Lembrar teu som,
teu riso,
teu carinho
.
.
.

E ser teu dengo 
no extravio dos meus pensamentos 



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10 de novembro de 2013

Contrações e contradições


O coração
O vazio
A dúvida
O amor

A divisão de mim
                        refletida nos outros

A mão treme, a caneta escorrega
        A indecisão constante e acelerada

Preciso me contrair inteira
para esvaziar-te de mim:

sístoles

desse meu coração pretérito,
seco ao sol,
passado

Preciso afrouxar as manias,
deixar fluir,
dar preferência à minha origem líquida,
escorrer, preencher:

diástoles

o coração enfraquece
e fortalece
nos intervalos de tempo