daqui de cima o céu parece um enorme e esbranquiçado-azul petróleo vazio - tão bonito - imagino o silêncio tento calar minha mente, que reflete no corpo os espasmos: dedos que tremem, desejando pensamentos coração palpitante, imparável não há o que calar não há o que parar não dá para calar tu que vens e invades toma completamente o meu espaço toma completamente minha consciência e inconsciência toma conta dos meus tiques nervosos cabeça coração barriga e mãos nesse imenso e bonito vazio iluminado pela lua de junho, não consigo ser vazia, meu bem não consigo descartar-te nesse infinito de nuvens pouco e lindamente iluminadas, queria poder olhar até onde o horizonte se estende sem ver lá no fundo que ainda distantes nos unimos entre estes céus queria olhar pro fundo deste escuro e obter alguma clareza mas a vida, benzinho, não escreve certezas entre céus e terras
no meio da noite às vezes paro calada olhando através da janela da área de serviço e espero você passar andando pela minha rua naquele passo apressado vindo dizer que me ama
terra abandonada, era eu: sem nada que brotasse naquele solo gasto tu chegaste, calado, como quem - sem querer - dá um susto ! mas como quem logo em seguida amansa com um beijo doce na pontinha dos lábios ali, logo na esquina dessa vida, era eu: avessada, devoluta, quando não quis mais nada disso que dizem amor mas ali, logo na esquina dessa vida, tu chegaste pela janela quando eu já tinha fechado todas as portas