17 de novembro de 2010

Espera

 Vivo por aí. Sozinha, distante, longe. E é tudo culpa dessa falta, dessa ausência se fazendo presente... Dessa saudade toda que mora em mim. Quando penso que falta pouco pra isso tudo acabar, talvez um dia ou um mês, quem sabe um ano ou bem menos, a saudade resolve acordar e brotam novamente aqueles pensamentos que me fazem querer voltar os dias, os segundos e as palavras ou nem sequer ter inventado de viver alguns momentos, mas acabo escolhendo por não regredir nem tentar nada de novo e prefiro arcar com as consequências das minhas escolhas. E a cada dia que passa é sempre a mesma batalha pra que o tempo passe correndo e que isso tudo acabe logo de uma vez, mas não acaba nunca e eu espero por esperar, pelo simples fato de aguardar por algo que não vem, como que mantendo uma esperança sempre viva. Espero, espero, espero, espero. E é tudo que faço. E parece que será tudo o que farei. Esperar é parar o tempo e eu não quero vê-lo parado: eu quero mais é que o tempo crie asas, voe e leve tudo o que puder carregar consigo. Cansei de transbordar todo o sentimento que tenho. Prefiro que levem, que roubem, que apreciem, que desgostem, que sumam com ele daqui. Se antes eu já não suportava aquela história de "toca ou não toca", agora nem sequer aguento qualquer coisa que seja morna. Definitivamente, quero que seja ou oito ou oitenta e o que estiver no meio não me serve. Preciso de alguém. Um alguém para ouvir o que tenho pra dizer, para falar o que ele quiser, pra eu tocar como se isso fosse um jeito de dizer que estou aqui e que, reciprocamente, ele me tocasse como se me correspondesse. Preciso de um daqueles amores que se tem sem se ter. Um daqueles desconhecidos, que todo mundo espera um dia encontrar. Um amor construído por nós e guardado num canto tão escondido que quase nenhum olho enxerga. Nós, eu você e ele que temos um coração e uma mente funcionando a mil quilômetros por hora, precisamos de pelo menos uma certeza em meio a tantas incertezas desse mundo louco e é por isso que tenho a necessidade de saber, ao menos, se esse sentimento existe nalgum lugar, porque preciso estar certa de que não inventei ou acreditei nele à toa. Seres humanos têm essa mania de explicação e crença. E creio eu, que um dia isso vai acabar. Um dia desses, enquanto eu estiver olhando o céu e procurando formas nas nuvens, quem sabe. Mas espero que isso acabe logo... Já cansei de brincar nesse vai-e-vem com meu coração. Meus olhos esperam, minha alma transborda e meu coração sempre estará do lado de fora. Espero. E o tempo passa. 



22 de outubro de 2010

Só por uma vez, um fim



Eu queria conseguir só por uma vez, ao menos, parar todos os meus pensamentos. É que às vezes cansa tentar tantas vezes e não conseguir pôr um fim nisso tudo. Queria ter dentro de mim para sempre a paz que me invade quando paro pra olhar o rio e sinto o vento batendo no meu rosto. O problema é que essa calmaria nunca fica; ela é rápida, dá o gosto e corre para o outro lado. Minha cabeça vai à mil, não para em momento algum, sempre tem uma coisa para ser pensada, para ser remoída, para bater numa mesma tecla, para mudar meu humor. Seria tão mais fácil se a gente não complicasse qualquer coisa que vem a nossa frente. Porque é que a gente tem que lidar com seres humanos? Todos eles são fadados a errar e errar e errar constantemente. Eu, ele, você. Todos nós erramos e erraremos muito daqui pra o final disso que chamamos de vida. Eu sei, você sabe, mas todos nós continuamos fingindo não saber de nada. E pra quê? Pra culpar um ao outro quando algo dá errado, quando algo sai da reta que traçamos para andar. Esquecemos que nada é linear. O tempo passa, o mundo dá voltas e acabamos parando no mesmo lugar, andando por linhas tortas - e ainda achando que elas são lineares - e entrelinhas mal entendidas por aqueles que nunca entendem a magia que cabe num momento de loucura e silêncio. Talvez a vida seja só essa loucura que a gente vive a cada segundo, milésimo e instante, e juntando tudo isso que a gente passa, quem sabe a gente não acha um final feliz depois? Ainda tem tanta pedra, caminho e chão pra gente andar. São infinitos pensamentos que correm na minha mente, são milhares de sentimentos a correr por minhas veias, são saudades a escorrer por meus olhos, são risadas vermelhas, são sorrisos vindos do coração, são batidas de carnaval e samba dentro de mim, são noites e mais noites arrumando um jeito de disfarçar o que qualquer um pode ver olhando para mim. É tanta coisa junta, tanta mistura, tantos “eus” dentro de mim mesma… É tanta correria pra achar uma saída, que é por isso que minha cabeça vai à mil sem parar. Tá tudo bem, tudo sempre estará. Acabará melhor quando num dia desses, pode ser qualquer dia mesmo, me apareça alguém que pense em compartilhar dessas mesmas loucuras, magias e silêncios da vida. Talvez seja aí que todo esse infinito torne-se finito ou dê uma pausa pra minha alegria estar em foco. É aí que o carnaval que vive dentro de mim sairá pela avenida, sentindo-se completo. Deve ser num desses momentos em que se sente por completo toda a essência de ser e estar. Deve ser aí o final feliz com direito a beijo de fim.

8 de setembro de 2010

Forçando a memória











Agora dei pra me fazer lembrar todo santo dia que meu coração não aguenta mais toda essa invenção de amar - ou não deveria. Colei atrás da porta um post-it que tem assim:



"Meu amor,
Você não se cansa dessa vida, não? Dá um tempo pra esse teu coração...  O coitado já está cansado de tanto amar."    




 Leio e releio todos os dias, mas isso é que nem regra: coração nenhum obedece.



29 de agosto de 2010

Querer

Me deixa pintar a vida como eu quiser! Cansei de tantos dias cinzas dentro de mim. Eu quero pintar minha alma de todas as cores; quero libertar o meu pássaro azul, sem medo… Eu quero ter a vida na sua forma mais crua e sincera que se pode ter. Quero me jogar nesse mundo, abrir o coração pro vento, deixar o tempo levar consigo o que quiser de mim. Quero que você me invada, me explore e conheça todos os cantos que existem no meu interior. Quero saber falar como quem grita o que sente, como quem escolhe e inventa as melhores palavras para se expressar. Quero levar comigo toda a alegria que puder, mas quero que exista um pouco de tristeza também... Ninguém aprende só com felicidade. Quero o óbvio, o intocado, o distante e a mesmice de todos os dias. Quero sentir todas as saudades: a de quem está ao seu lado, a de quem está em outro canto do país, a de uma época, a de um amor, a de uma voz, a de uma música, a de um livro, a de um sábado à tarde, a dos cheiros... Quero tanto que nem sei mais o tanto que quero. Quero desaprender a medir os sentimentos; quero aprender a ser mais de mim, cada vez mais. Quero sentir e tocar essa vida com a palma da minha mão. Quero que minha vida seja vasta; tão imensa que não se possa pegar com uma mão - nem duas -, mas que caiba inteira na minha memória, como uma doce lembrança de dezembro. Quero que tudo que vivi, vivo e viverei seja como um souvenir, um presente mesmo, escrito e feito por mim, de um jeito indecifrável para os que não têm dentro de si a magia de ver através do comum. Quero minha vida dentro de um sonho. Não um sonho impossível, mas um sonho daqueles que a gente realiza, que só é preciso vontade e enxergar além de um horizonte distante. Quero o tudo, o nada e mais um pouco... Posso parecer gananciosa, mas não sou não. Só sei que quero poder espremer e tirar o sumo dessa vida, fazer com que ela seja deliciosa, sem amargar no final. Eu só quero poder viver. Viver, no sentido mais amplo da palavra, da forma mais intensa e despreocupada que se possa imaginar.


Quero viver o mundo que floresce em mim todos os dias, com todas as borboletas que eu tiver direito!





(E quero que você venha comigo.)

8 de julho de 2010

Coisa minha



Fico fascinada ao me deparar com qualquer pôr-do-sol. Nunca escondi isso de ninguém. Me perco nas cores que pintam o céu. Penso, repenso, relembro, esqueço. Correm os minutos, pauso o tempo só pra mim. Transbordo sentimentos. Se pararem para me observar, notarão minha distância dali: transporto-me para meu interior e lá descubro a primavera e o beco sem saída - e qualquer outra estação meio fria - que existem permanentemente em meu ser. Transpareço minhas cores, minhas dores, você, nós, minhas invenções, saudades, meus versos e sentimentos, e percorro um longo caminho até não mostrar nada daquilo que sou. Pareço flutuar nalgum mar invisível, num mar de lembranças. Afogo-me e perco o tempo que havia parado... Sempre acabo perdendo algum pedaço nessas viagens de mim pra mim. Já não me resta nem mais um segundo, e todas as cores secaram.
Ainda me resta um brilho refletido no mar e infinitos pontos espalhados num lençol preto sobre minha cabeça. Parece que nunca vai chegar ao fim. Misturo uma dose de amnésia com outra de desapego, mas nunca vai-se embora o amor que vive dentro de mim. É característica minha, devo ter algum erro de fabricação, talvez algum problema com entregar-me, não sei. Vivo com essa coisa dentro de mim; esse amor, esse jeito inconstante, essa mania de ser jogada para os sentimentos. Sou toda feita do avesso, com a alma do lado de fora, mais fácil de pegar. A noite passa rápido. Canto seu canto com ela e meu coração bate no ritmo de alguma canção sem sentido. O tempo passa cada vez mais rápido: corre, voa, nem o vejo mais. Invento de contar as estrelas. Gasto aquilo que já nem tenho tentando limitar o infinito. Busco limitar a mim mesma, tentando me resumir numa frase, ou talvez um parágrafo. Não consigo. O dia já começava a raiar, e eu perdia meus minutos tentando entender o que é que acontece nesse meu interior bagunçado.
Meu coração cantava num ritmo diferente, e o sol acompanhava-o. Subia rápido, mas era tão lindo, que nem tive coragem de pedir pra ir mais devagar. Rompia o silêncio de um céu roxo, com uma delicadeza que só ele poderia ter. Lembrei-me de você, por algum motivo que não sei explicar. Não sei, deve ter sido essa história de romper delicadamente, embora você tenha feito o oposto comigo. A alvorada chegava ao fim, e eu não conseguia pensar em mais nada que não fosse o sorriso que brotara no meu rosto quando me veio à mente o seu sorriso; aquele fácil e quente, o que eu mais gosto. Fico perturbada toda vez que lembro como você mexe comigo assim, tão deliberadamente fácil. Estranho como você consegue mexer com os cantos de minha boca de um jeito tão natural; me assusta.
Acho engraçado como eu tenho essa mania de mergulhar em mim, a cada pôr-do-sol. Viajo, me transporto, saio de mim, mas sempre acabo no mesmo lugar: você. Amanhã, depois, acontece de novo, e continuo aqui, esperando. Nunca acaba... Tudo se renova, todos os dias, a cada crepúsculo. É que eu tenho essa mania de ir por aí, fazendo como bem quero, mas nem mesmo eu me obedeço. Tenho mania de inventar de ser só coração, mas não aguento.


Tenho mania de tirar tudo do peito.
 Mas o dia tem mania de colocar tudo de volta.