12 de fevereiro de 2012

1 de fevereiro de 2012

Pé-de-coração


 Planta carnívora dentro do peito. Consegue me engolir de tal jeito, que nem sequer me mastiga. O amor brota em cacho, suculento e vermelho, de muito. Me consome. O que antes era só uma mudinha, agora tá enorme, quase do tamanho de um arbusto. Floresceu, você tem que ver. E se ramifica cada vez mais.

Por essas e outras que gosto tanto de chuva. Me cuida, me rega, me alimenta, me lava a alma. Me faz crescer esse amor calmo e desconcertante em forma de planta cultivada no solo desse meu peito bagunçado.

Meu Pé-de-coração cresceu apressado e paciente, com toda a contradição permitida pelo amor. É tratado por um jardineirozinho meio calado, mas que sabe podar com cuidado – e muito carinho – as folhas que não servem mais. Daqui a pouco essa planta vai me preencher toda – mas nem ligo – e começará a mostrar os galhos mais desenvolvidos, bem bonitos, lá em cima – ou por todos os lados. Na primavera, talvez. Até consigo me imaginar: coraçõezinhos pelo chão - sementes bem embaixo dos meus pés – e um contraste lindo do vermelho sangue das pétalas das minhas novas flores com o céu azul de novembro.

Ainda dá tempo de plantar mais umas mudinhas. Não é fácil, mas a gente rala um pouco para que o peito cresça e caiba o instável coração, sempre com mais amor dentro dele.


Ainda bem que choveu. E que ainda chove.



meu Pé de coração na parede 

4 de janeiro de 2012

(des)Conhecimento



Veja bem,
você precisa entender
que meu coração bate descompassado
e minha cabeça repete exclamações sem parar
Vez ou outra,
canso da mesma tecla,
mas continuo:
é assim que manda a razão
Mas, quando dou a cara à tapa,
é diferente:
bato o pé,
digo que não
e pronto,
vou onde meu coração mandar

Veja bem,
você precisa entender que me atrevi
botei a cara,
bati o pé,
disse que não pra razão,
e cá estou,
com teus olhos guardados em minha mente
e meu coração em tuas mãos

Veja bem,
você precisa entender que fui
e que continuo indo
Estou seguindo de peito aberto,
escancarado,
pra quem quiser ver
que teu nome tá lá dentro
Que fiquemos os dois,
mais perto do que longe,
sendo um do outro,
sem ser,
porque precisamos ser livres
e pertencer,
ao mesmo tempo
Sermos nossos,
completos e totalmente,
dentro e fora:
com muito amor

Veja bem,
você precisa entender a mim
e a esse meu ser mutante,
que são duas
ou infinitas numa só
Se quiser que eu te ensine,
tenha a coragem de mergulhar em mim
e me seguir nesse turbulento mar
que nem eu conheço direito,
mas que desbravaremos juntos,

se você ficar.





31 de dezembro de 2011

Novo



 Limpei a casa e reorganizei os móveis. Joguei fora tudo que não me servia mais e só fazia acumular poeira dentro do meu coração. As lembranças continuam engavetadas, guardadas de mau jeito, para que eu possa dar uma olhada vez ou outra.
Ando cheia de vontades. Vontade enorme de ser feliz – sempre mais e mais, porque nós, seres humanos e de sangue pulsante correndo louco nas veias, temos essa mania de querer demais. Vontade de entregar-se ao novo, àquilo que ainda está chegando ou já chegou por completo – e me entrego. Vontade de plantar algumas árvores, muita alegria e gentileza no solo desse mundo desconcertado.
Meu coração tá transbordando de tanta coisa linda que tem guardada nele, e quero poder doar um pouco disso para todo aquele que queira experimentar – aprendi que não adianta se doar para quem nada quer ou não se deixa querer: a gente só se desgasta e gasta nosso carinho.
Vontade de jogar amor para cima, para baixo e para todos os lados. Nas diagonais, paralelas, perpendiculares e diversas outras direções. Espalhar o amor: “que seja doce”. Muito.
Que sejamos mais - e menos também. Que nossos estômagos se encham de borboletas e nossos corações se acalmem um pouco. Que mudemos – a nós e ao mundo. Que cresçamos. Que somemos e multipliquemos mais do que temos subtraído.

Que comecemos de novo e de novo, todos os dias.
           E que venha o novo.